Antibióticos estão menos eficazes no combate a infecções bacterianas, diz OMS

Notícias recentes divulgadas em outubro de 2019 apontam que 20% de todas as gaivotas-prata que habitam na Austrália estão carregando bactérias patogênicas fortemente resistentes a antibióticos. Esse e outros casos semelhantes têm preocupado bastante a comunidade científica e o sistema de saúde pública do país, pois, as aves têm o poder de transmitir doenças aos seres humanos e outros animais. As gaivotas são portadoras de bactérias como a E. coli, proveniente de resíduos que fluem do esgoto e dos lixões.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a resistência a antibiótios é vista nos dias de hoje como uma das piores ameaças à saúde humana. Os seres humanos deixaram de morrer por simples infecções após a descoberta da penicilina e outros antibióticos que vieram depois. Diversas infecções que antes exterminaram grande parte da população, hoje são tratadas de forma simples e corriqueira. Pneumonia, tuberculose, salmonelose, gonorreia, dentre outras doenças que levavam a óbito milhões de pessoas todos os anos, podem ser curadas com os antibióticos disponíveis.

Mas, a resistência desses antibióticos estão tornando o tratamento das doenças citadas e outras doenças menos eficaz. Quanto mais as bactérias resistem aos antibióticos disponíveis nos dias de hoje, maior é o número de internação em hospitais, maiores os custos com os doentes e mais elevada se torna a taxa de mortalidade em todos os países.

A resistência aos antibióticos acontece quando as bactérias evoluem devido ao contato com esses medicamentos. Se o antibiótico faz efeito contra as bactérias em uma pessoa, porém, essa pessoa para o tratamento assim que se sente melhor, as bactérias sobreviventes devido ao encerramento precoce do tratamento acabam se tornando mais resistentes e se multiplicam mais forte contra o antibiótico utilizado anteriormente. Desta forma, um antibiótico mais forte deve ser utilizado.

Quando os antibióticos são utilizados de forma indiscriminada e são espalhados pelo meio ambiente, as bactérias que vivem na natureza e em outros animais consumidos pelos seres humanos, acabam ficando mais resistentes aos tratamentos convencionais com antibióticos. De acordo com um recente estudo, foi descoberto que a concentração de antibióticos em diversos rios está excedendo os níveis “seguros” deste patamar de evolução das bactérias em até 300 vezes. Ou seja, em algumas décadas, pode ser que os antibióticos mais potentes existentes não darão conta de combater bactérias que hoje podem ser tratadas.

“O metronidazol, um antibiótico comumente utilizado para tratar infecções bacterianas que atingem a região da boca e da pele, excedeu em mais de 300 vezes os níveis seguros em Bangladesh. As bactérias causadoras das infecções bacterianas na pele e na boca, estão muito mais resistentes nesta região do planeta”, explica um relatório recentemente lançado pela Universidade de Nova York.

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