Especialistas da Empiricus tiram dúvidas sobre a variação do câmbio

Em Setembro ao dólar alcançou sua maior valorização frente ao real, fechando o mês acima dos R$ 4,00. No mesmo mês a moeda estrangeira oscilou entre R$ 4,05 e R$ 4,18 na venda.

Foram vários os motivos que fizeram o dólar disparar, em especial a oferta e demanda, que eleva ou desvaloriza a moeda. Quem explica é Felipe Arrais, editor da Empiricus Private, uma divisão da Empiricus.

Basicamente, como há mais dólares entrando no país por meio de investimentos e compras, faz com que o dólar caia, entretanto também é possível observar uma situação contrária: se o mercado nacional vai mal, o cenário é de fuga de capital do país, reduzindo a oferta da moeda norte-americana, o que eleva seu preço.

A variação cambial traz fatores positivos e negativos com a desvalorização. Positivamente, Arrais fala sobre um ponto positivo da alta do dólar, que é o ganho da competitividade dos produtos exportados. O produto nacional é vendido mais barato lá fora porque o dólar está mais forte, gerando mais capital e empregos no Brasil, pontua Arrais.

Já os impactos negativos refletem principalmente no índice de desemprego e no aumento dos produtos vendidos aqui. Ocorre que muitas empresas possuem alguma dívida em dólar e se ele sobe, a empresa fica mais endividada, tem que conter custos e acaba demitindo.

Para o editor da Empiricus que no momento em que moeda americana valoriza, os insumos e produtos importados ficam mais caros, gerando o que Arrais chama de “repasse cambial”, quando os produtos importados que já encareceram “contaminam” outras mercadorias. O público passa a trocar esses produtos importados por substitutos que também encarecem pelo aumento de sua demanda.

O preço do barril de petróleo também é impactado com a variação cambial já que é precificado em dólar. Logo, a alta vai influenciar no preço dos combustíveis. Arrais ressalta que o Brasil apresenta alta dependência do transporte rodoviário com mais de 60% do que circula transportado por caminhões e outros veículos pesados. Isso impacta no preço do transporte logístico, que corresponde de 30% a 40% do valor final de um produto.

Esse cenário faz com que a compra do mês fique mais cara. Em outras palavras isso impacta no consumo e na vida do brasileiro como um todo.

Outro especialista da Empiricus, o co-CEO da empresa Felipe Miranda, explica que é possível lidar com a variação cambial. De acordo com ele, essa variação é incerta e há duas formas de se lidar com ela.

A primeira é mantendo na carteira de investimentos em uma moeda forte. O dólar, por exemplo, pode ser mantido no portfólio do investidor para preservar a construção de seu patrimônio no longo prazo. A segunda é destinada para quem vai fazer viagens para o exterior. De acordo com o co-CEO da Empiricus é importante comprar dólares aos poucos. Por exemplo, se a pessoa vai viajar daqui a seis meses, é indicado que ela vai comprando durante esse período, pois assim é possível construir um preço médio ao longo desse período.

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